{"id":15717,"date":"2026-06-09T17:38:58","date_gmt":"2026-06-09T20:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/cbxonline.com.br\/?p=15717"},"modified":"2026-06-09T17:38:58","modified_gmt":"2026-06-09T20:38:58","slug":"sai-do-celular-habito-de-motoristas-desafia-transito-com-acidentes-e-mortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/2026\/06\/09\/sai-do-celular-habito-de-motoristas-desafia-transito-com-acidentes-e-mortes\/","title":{"rendered":"Sai do celular!\u201d: h\u00e1bito de motoristas desafia tr\u00e2nsito com acidentes e mortes"},"content":{"rendered":"<p>A cena se repete diariamente nas ruas de Salvador. O sinal abre, os carros permanecem parados por alguns segundos e logo surgem as buzinas. \u201cSai do celular!\u201d, reclama algu\u00e9m atr\u00e1s. O epis\u00f3dio, t\u00e3o comum que j\u00e1 faz parte da paisagem urbana, revela um comportamento que muitos brasileiros conhecem, praticam ou testemunham todos os dias: o uso do celular ao volante.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que basta um r\u00e1pido desvio de olhar para a tela para que o motorista deixe de enxergar o que acontece \u00e0 sua frente. Essa esp\u00e9cie de cegueira moment\u00e2nea, que dura apenas segundos, conforme explicam especialistas, pode ser suficiente para transformar uma mensagem aparentemente banal em um acidente grave.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed\"><ins class=\"adsbygoogle adsbygoogle-noablate\" data-ad-format=\"auto\" data-ad-client=\"ca-pub-0629312231703893\" data-adsbygoogle-status=\"done\" data-ad-status=\"filled\"><\/p>\n<div id=\"aswift_7_host\"><\/div>\n<p><\/ins><\/div>\n<p>Estudos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Tr\u00e1fego (Abramet) apontam que a distra\u00e7\u00e3o provocada pelo celular \u00e9 atualmente a terceira maior causa de mortes no tr\u00e2nsito brasileiro: uma m\u00e9dia de 50 mil \u00f3bitos por ano, atr\u00e1s apenas do excesso de velocidade e da combina\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que uma quest\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, especialistas enxergam o problema como um desafio de sa\u00fade p\u00fablica e de comportamento social. Em uma sociedade cada vez mais conectada, na qual trabalho, servi\u00e7os, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o cabem na palma da m\u00e3o por meio de um smartphone, e que exige respostas imediatas, produtividade constante e disponibilidade permanente, muitos motoristas passaram a acreditar que conseguem dirigir e se comunicar ao mesmo tempo.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed\"><ins class=\"adsbygoogle adsbygoogle-noablate\" data-ad-format=\"auto\" data-ad-client=\"ca-pub-0629312231703893\" data-adsbygoogle-status=\"done\" data-ad-status=\"filled\"><\/p>\n<div id=\"aswift_8_host\"><\/div>\n<p><\/ins><\/div>\n<p>Em Salvador, os n\u00fameros de infra\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o longe de refletir a dimens\u00e3o real do problema. Dados da Transalvador mostram que foram registradas 14.689 infra\u00e7\u00f5es por uso de celular ao volante em 2024. Em 2025, o n\u00famero subiu para 14.919 autua\u00e7\u00f5es. Nos tr\u00eas primeiros meses de 2026, j\u00e1 haviam sido contabilizadas 3.212 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cApesar de registrarmos uma redu\u00e7\u00e3o nas autua\u00e7\u00f5es por uso de celular ao volante no primeiro trimestre de 2026, os n\u00fameros ainda s\u00e3o preocupantes. O celular \u00e9 uma das principais fontes de distra\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito e pode comprometer a aten\u00e7\u00e3o do condutor por segundos decisivos, aumentando significativamente o risco de sinistros, atropelamentos e colis\u00f5es. Por isso, refor\u00e7amos a import\u00e2ncia de que os motoristas mantenham o foco total na condu\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.\u201d Diego Brito, superintendente de tr\u00e2nsito de Salvador.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed\"><ins class=\"adsbygoogle adsbygoogle-noablate\" data-ad-format=\"auto\" data-ad-client=\"ca-pub-0629312231703893\" data-adsbygoogle-status=\"done\" data-ad-status=\"filled\"><\/p>\n<div id=\"aswift_9_host\"><\/div>\n<p><\/ins><\/div>\n<p>O fen\u00f4meno tornou-se t\u00e3o comum que, para muitos motoristas, deixou de ser percebido como uma conduta de risco. Segundo a Abramet, cerca de 50% das falhas de aten\u00e7\u00e3o registradas no tr\u00e2nsito brasileiro est\u00e3o relacionadas ao uso do celular. A entidade estima uma m\u00e9dia de aproximadamente 30 autua\u00e7\u00f5es por hora em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na Bahia, de acordo com a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF), a BR-324 concentra cerca de 90% das autua\u00e7\u00f5es por uso de celular registradas nas rodovias federais do estado. O trecho sob responsabilidade da Delegacia da PRF em Sim\u00f5es Filho tornou-se o principal epicentro dos flagrantes, abrangendo o corredor entre Salvador, Sim\u00f5es Filho, Am\u00e9lia Rodrigues e Feira de Santana.<\/p>\n<p>Segundo a corpora\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras inteligentes de videomonitoramento provocou um aumento superior a 540% nas autua\u00e7\u00f5es. Os equipamentos utilizam tecnologia capaz de identificar em tempo real motoristas digitando mensagens, segurando aparelhos ou utilizando celulares apoiados no colo.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos condutores que utiliza o aparelho durante a condu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 flagrada. Muitos mant\u00eam o celular nas coxas, escondido pr\u00f3ximo ao c\u00e2mbio ou apoiado discretamente no painel. Muita gente responde mensagens e acompanha redes sociais enquanto dirige\u201d, comenta o caminhoneiro Deolindo Pacheco.<\/p>\n<p>Legisla\u00e7\u00e3o O C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro classifica como infra\u00e7\u00e3o grav\u00edssima dirigir segurando ou manuseando o celular. A puni\u00e7\u00e3o prev\u00ea multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilita\u00e7\u00e3o (CNH). Conforme orienta\u00e7\u00f5es da Secretaria Nacional de Tr\u00e2nsito (Senatran), \u201co tr\u00e2nsito seguro depende da escolha de cada condutor\u201d. O \u00f3rg\u00e3o federal refor\u00e7a ainda que a aten\u00e7\u00e3o ao volante deve ser integral durante todo o deslocamento.<\/p>\n<p><strong>Tela de celular causa cegueira moment\u00e2nea; jovens s\u00e3o os que mais usam tela na dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mas o que preocupa autoridades e especialistas n\u00e3o \u00e9 a multa e sim o potencial destrutivo de uma distra\u00e7\u00e3o que dura apenas alguns segundos.\u201cSe o problema fosse s\u00f3 a multa. O problema \u00e9 o acidente\u201d, resume o pedreiro Ant\u00f4nio dos Santos, v\u00edtima de atropelamento provocado por um motorista que utilizava o celular enquanto dirigia.<\/p>\n<p>Entre os jovens adultos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante. Conforme estudo divulgado pela Abramet, o celular est\u00e1 relacionado a 57% dos acidentes envolvendo condutores entre 20 e 39 anos, justamente a faixa et\u00e1ria que concentra grande parte da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<p>Um acidente pode aconteerr justamente na chamada cegueira moment\u00e2nea fruto de segundos de distra\u00e7\u00e3o na tela. Estudos do Transport Research Laboratory (TRL), encomendados pela RAC Foundation, apontam que ler ou enviar mensagens pelo celular pode aumentar em at\u00e9 35% o tempo de rea\u00e7\u00e3o do motorista. Em velocidades de rodovia, esse intervalo \u00e9 suficiente para percorrer dezenas de metros sem aten\u00e7\u00e3o plena \u00e0 pista.<\/p>\n<p>Conforme c\u00e1lculos baseados em par\u00e2metros adotados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Tr\u00e1fego (Abramet), um ve\u00edculo a 80 km\/h percorre aproximadamente 22 metros por segundo. Isso significa que um motorista que passa quatro ou cinco segundos olhando para uma tela pode atravessar entre 88 e 110 metros praticamente \u00e0s cegas, sem perceber uma frenagem brusca, um pedestre ou qualquer obst\u00e1culo inesperado.<\/p>\n<p>Nas cidades, a distra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m produz situa\u00e7\u00f5es aparentemente simples, mas potencialmente perigosas. Agentes de tr\u00e2nsito relatam que as chamadas colis\u00f5es traseiras de baixa velocidade est\u00e3o frequentemente associadas ao uso do celular em congestionamentos e sem\u00e1foros. O motorista confere uma mensagem, percebe pelo movimento lateral que os carros come\u00e7aram a andar e acelera sem observar o ve\u00edculo imediatamente \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p><strong>Mesmo em baixa velocidade, acidentes podem ser fatais com distra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos dessa distra\u00e7\u00e3o chegam diariamente aos hospitais e aos locais de resgate. Conforme dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, m\u00e9dicos de tr\u00e1fego, socorristas e profissionais que atuam em emerg\u00eancias relatam que os acidentes provocados pelo uso do celular ao volante costumam apresentar uma caracter\u00edstica recorrente: a aus\u00eancia de marcas de frenagem na pista.<\/p>\n<p>Em muitos casos, o motorista simplesmente n\u00e3o percebe o obst\u00e1culo, outro ve\u00edculo ou mesmo um pedestre a tempo de reagir. O resultado s\u00e3o colis\u00f5es de forte impacto, frequentemente associadas a traumatismos cranianos, fraturas e les\u00f5es cervicais. Segundo especialistas em trauma vi\u00e1rio, quando n\u00e3o h\u00e1 desacelera\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do ve\u00edculo, grande parte da energia da colis\u00e3o \u00e9 transferida diretamente para os ocupantes e para as v\u00edtimas atingidas.<\/p>\n<p>PRF &#8211; Relat\u00f3rios da PRF apontam ainda que a desaten\u00e7\u00e3o provocada pelo celular aparece entre os principais fatores associados a sinistros graves nas BRs 324, 116 e 101, algumas das rodovias mais movimentadas da Bahia.<\/p>\n<p>Conforme dados utilizados em campanhas educativas da corpora\u00e7\u00e3o, uma r\u00e1pida consulta a mensagens ou notifica\u00e7\u00f5es pode elevar em at\u00e9 400% o risco de acidentes. A PRF alerta que a perda moment\u00e2nea da aten\u00e7\u00e3o gera rea\u00e7\u00f5es tardias que frequentemente resultam em colis\u00f5es traseiras, sa\u00eddas de pista e atropelamentos.<\/p>\n<p><strong>Viva-voz reduz o risco, mas n\u00e3o elimina<\/strong><\/p>\n<p>Muitos motoristas acreditam ter encontrado uma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria por meio do sistema viva-voz. O psic\u00f3logo Renato Vidal \u00e9 um deles. \u201cEu evito atender liga\u00e7\u00f5es enquanto dirijo. Quando n\u00e3o tem jeito, uso o viva-voz do carro porque considero mais seguro. WhatsApp eu procuro n\u00e3o mexer\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 comum, mas estudos citados pela pr\u00f3pria Abramet mostram que o risco n\u00e3o desaparece completamente. Embora o viva-voz elimine a necessidade de segurar o aparelho, a conversa continua disputando aten\u00e7\u00e3o com o ambiente externo. De acordo com especialistas em medicina de tr\u00e1fego, o viva-voz \u00e9 menos perigoso do que manusear o telefone, mas ainda n\u00e3o representa a condi\u00e7\u00e3o ideal para uma condu\u00e7\u00e3o segura. O c\u00e9rebro continua dividindo sua aten\u00e7\u00e3o entre a conversa e os est\u00edmulos do tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>\u201cMuitos motoristas desenvolveram uma depend\u00eancia funcional do aparelho. Parece \u00e9 imposs\u00edvel esperar alguns minutos para responder uma mensagem, confirmar uma reuni\u00e3o ou atender uma liga\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Renato. O telefone funciona como escrit\u00f3rio, banco, agenda, navegador, ferramenta de trabalho e principal meio de comunica\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de cultura \u00e9 fundamental para diminuir acidentes<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, especialistas concordam que a transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada apenas por meio da fiscaliza\u00e7\u00e3o. O desafio passa por uma mudan\u00e7a cultural semelhante \u00e0 que ocorreu com o uso do cinto de seguran\u00e7a e com a combina\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, dirigir sem cinto era considerado normal. Tamb\u00e9m era comum encontrar motoristas que admitiam beber antes de assumir o volante. Com campanhas educativas, endurecimento da legisla\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o social, esses comportamentos passaram a ser cada vez menos aceitos.<\/p>\n<p>Para a estudiosa de marketing Clara Soares, existe ainda uma responsabilidade coletiva nessa discuss\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso que os trabalhos, os empregadores e os patr\u00f5es tamb\u00e9m parem de achar que estamos dispon\u00edveis o tempo inteiro. O sistema como um todo precisa dar um descanso da gente no celular.\u201d<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o encontra eco entre especialistas em comportamento, que defendem uma revis\u00e3o da cultura da hiperconectividade. Afinal, o celular se tornou indispens\u00e1vel para a vida moderna, mas a urg\u00eancia permanente criada em torno dele tamb\u00e9m produz consequ\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena se repete diariamente nas ruas de Salvador. O sinal abre, os carros permanecem parados por alguns segundos e logo surgem as buzinas. \u201cSai do celular!\u201d, reclama algu\u00e9m atr\u00e1s. O epis\u00f3dio, t\u00e3o comum que j\u00e1 faz parte da paisagem urbana, revela um comportamento que muitos brasileiros conhecem, praticam ou testemunham todos os dias: o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15719,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[],"class_list":["post-15717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15717"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15718,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15717\/revisions\/15718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cbxonline.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}